Kang → Windhoek — Welcome to Namibia
Kang → Windhoek — Bem-vindos à Namíbia
📍 Windhoek, NamibiaThe last long drive of the first stage. We left Kang an hour behind schedule, but no stress. Paula only arrives in Windhoek at 4:30 PM, the TAAG flight is running late. We have time.
We continued on the Trans-Kalahari Road. Endless straight lines, few cars, many cows, and two jackals that crossed the road as casually as if they were heading to the corner café. Vasco's music selection takes over, he assumes the role of resident DJ with full authority. Raul sleeps a bit during the first hours. Recharging is part of the strategy.
We have to be careful with fuel because the density of petrol stations is proportional to Botswana's population density, and this car drinks more than we do.
The sandy part of the Kalahari Desert sits right on our right side, but we decided not to venture into the dunes. Decision taken by majority: two against one. Democracy works, even when it doesn't go our way.
Raul drives on the left for the first time. He overtakes every truck that appears along the way, four or five over two hours. I get a bit annoyed with the speed, but I'm outvoted because Vasco comes to his brother's defence. Soon enough it'll be two against two.
We reached kilometer 2,000 of the trip, still in Botswana. A milestone worth recording.
We arrived at the Namibian border and, for the first time, they asked for the mother's declaration authorizing me to travel with Vasco, who is a minor. We were missing a copy of Paula's ID/Passport. I had no internet. "I've got a photo of that thing right here," says Vasco, who had just saved the day. Unlikely hero, phone in hand.
The border process deserves its own paragraph. Fill in individual entry form. Submit. Fill in car form. Submit. Receive car form back. Stamp at window 14. Receive from window 14, pay at window 17. Receive from window 17, stamp at window 24. Receive from window 24, stamp exit with the soldier outside. "What's in the trunk?", "Clothes and shoes.", "Can I see?" My only concern was the Benfica shirts still with Adidas tags. I put the dirty laundry on top. It worked, he didn't want to see any more.
In the middle of all this, we needed to check the car's mileage. Raul goes to check and comes back with the number, but also with the news that he accidentally reset the trip odometer. We were at 2,300 km. For the record. No drama.
Welcome to Namibia!
Endless straight roads, matching our endless conversations. Politics, the future, working outside Portugal, developing countries, GDPs, colonization and globalization. The kind of conversation that only happens when you have open road ahead and time to spare.
At precisely 4:30 PM we passed Windhoek airport. Paula should be landing. But she already arranged a transfer, so we decided to go straight to the lodge and have the last "coca-cola" before the "inspection" arrives. The metaphor isn't mine, but it's perfect.
We placed bets on how long it would take for mum's question to come: "Boys, what was your Top 3?", she loves lists. I said 30 minutes. They said less.
We arrived at the house. Parked the beast at what would be our first home as a foursome in Namibia. Went for a "coca-cola" at the bar. Paula was already in the taxi.
The reunion as four. Dinner at Joe's Beer House with flambéed kudu, a cocktail for Raul that came in a bucket, and the answer to the Top 5, Top 10, Top 20. A transitional stage now begins between the first and second phases of the trip. Three days as a family of four.
A few things are going to change from now on with Paula joining us. At least two: we're going to start having more and better photographs, and I'll probably have to start wearing a fresh shirt every day.
A última jornada longa da primeira etapa. Arrancámos de Kang uma hora depois do planeado, mas sem stress. A Paula só chega às 16h30 a Windhoek, o avião da TAAG vai sair atrasado. Temos tempo.
Continuamos na Trans-Kalahari Road. Rectas infinitas, poucos carros, muitas vacas e dois chacais que atravessaram a estrada como quem vai ao café da esquina. Selecção musical do Vasco, que assume o cargo de DJ residente com autoridade. O Raul dorme um bocado nas primeiras horas, recarregar baterias é parte da estratégia.
Temos de ter algum cuidado com o combustível porque a capilaridade das estações de serviço é proporcional à densidade populacional do Botswana, e este carro bebe mais do que nós.
A parte arenosa do deserto do Kalahari fica mesmo do nosso lado direito, mas decidimos não ir pelas dunas. Decisão tomada por maioria: dois contra um. A democracia funciona, mesmo quando não nos favorece.
O Raul conduz pela esquerda pela primeira vez. Ultrapassa todos os camiões que surgem pelo caminho, uns quatro ou cinco durante duas horas. Eu chateio-me um bocado com a velocidade, mas sou derrotado porque o Vasco sai em defesa do irmão. Mais logo já fica dois para dois.
Chegámos ao quilómetro 2000 da viagem, ainda no Botswana. Um marco que merece registo.
Chegámos à fronteira com a Namíbia e, pela primeira vez, pediram-nos a declaração da mãe a autorizar que eu viajasse com o Vasco, que é menor. Faltava a cópia do BI/Passaporte da Paula. Eu não tinha internet. "Tenho aqui uma foto desse mambo", diz o Vasco, que acabava de salvar o dia. Herói improvável, telemóvel na mão.
O processo na fronteira merece um parágrafo à parte. Preencher formulário individual para entrar. Entrega. Preencher formulário do carro. Entrega. Recebe formulário do carro. Carimba no guichê 14. Recebe do guichê 14, paga no guichê 17. Recebe do guichê 17, carimba no guichê 24. Recebe do guichê 24, carimba a saída no soldado que está lá fora. "O que trazem na mala?", "Roupa e sapatos.", "Posso ver?" A minha única preocupação eram as camisolas do Benfica ainda com etiqueta da Adidas. Coloquei a roupa suja por cima. Funcionou, não quis ver mais nada.
No meio deste processo precisámos de ver os quilómetros que tem o carro. O Raul vai ver e volta com o número, mas também com a notícia de que, sem querer, fez reset aos quilómetros da viagem. Íamos em 2300 km. For the record. Tranquilo.
Welcome to Namibia!
Rectas intermináveis, iguais às nossas conversas. Política, futuro, trabalhar fora de Portugal, países em desenvolvimento, PIBs, colonização e globalização. O tipo de conversa que só acontece quando se tem estrada à frente e tempo de sobra.
Precisamente às 16h30 passámos pelo aeroporto de Windhoek. A Paula deve estar a aterrar. Mas ela já pediu um transfer, por isso decidimos ir directos para o lodge e beber a última "coca-cola" antes que venha a "inspecção". A metáfora não é minha, mas é perfeita.
Fazemos aposta sobre quanto tempo vai demorar até surgir a pergunta da mãe: "Rapazes, qual foi o vosso Top 3?", adora listas. Eu disse 30 minutos, eles disseram menos.
Chegámos a casa. Estacionámos o bólide naquela que vai ser a nossa primeira casa a quatro na Namíbia. Fomos tomar uma "coca-cola" ao bar. A Paula já estava no táxi.
O reencontro a quatro. Um jantar no Joe's Beer House com kudu flamejado, um cocktail do Raul que veio em balde, e a resposta ao Top 5, Top 10, Top 20. Começa agora uma etapa transitória entre a primeira e a segunda fase da viagem. Serão três dias a quatro.
Algumas coisas vão mudar de agora em diante tendo a Paula como companhia. Pelo menos duas: vamos começar a ter mais e melhores fotografias, e vou provavelmente ter de começar a usar uma camisa ou t-shirt nova todos os dias.