Cape Maclear → Ribaué — Goodbye Diego, Welcome Idalino
Cape Maclear → Ribaué — Adeus Diego, Bem-vindo Idalino
📍 Mandimba → Cuamba → Ribaué, MoçambiqueThe day started with saying goodbye to Diego. The man who has already visited 114 countries and is always in good spirits, even when "now we're all f...ucked," as he says with a Hispano-Brazilian accent. See you later.
We only set off at 8 am and arrived at the Mandimba, Mozambique border at 11:30 am.
I had a feeling things would get complicated from now on, because Mozambique is somewhat unpredictable. This time was no different: it took us 3 hours to cross the border. We had all applied for our visas online, as per the rules, to avoid any risks, but here we are always at risk of encountering inefficiencies and complications. Just by breathing.
Mr. Idalino, the man who processes visas, looked like someone who had been working there for 20 years stamping documents, but clearly didn't know much about what to do with "tourists" in Mandimba. His predictable friendliness was a saving grace, helping us endure 3 hours of phone calls between him and the provincial chief, the Senami from Maputo, the "colleague at another border," just to keep things moving.
He invited me to sit at his desk. He himself didn't know what to do, but he didn't want to make decisions and be responsible for three delinquents entering the country. We had to wait for clear instructions from his superiors.
The problem was that his superiors were so superior that they couldn't even be seen from down here, or they couldn't see us. All that was left was to wait. And so it was, to the sound of the stamp hitting other people's passports, people who weren't tourists and hadn't applied for their visas online, as per the migration services' rule.
Tomek and Fernando were already feeling that tight, disconcerting embrace of "welcome to Mozambique, but now you just have to wait, there's no other way." Disarming.
Three hours later we were "freed" with an apologetic look from Mr. Idalino, and a false "no problem" that I left him with. False because there were problems; we wouldn't make it to Nampula during daylight anymore.
Change of plans: we'll stay in Ribaué, 130 km from Nampula. We booked Residencial Malema by phone.
Upon reaching Cuamba, we had to cross the train tracks. We were already burning through our estimated arrival time in Ribaué. A level crossing is usually easy to pass, except when a coal train breaks down and blocks the passage. "Chief, estimated time for this to be resolved?" "Ahh, we don't know, I can't lie, but we've already called mechanics." Encouraging.
We decided to try crossing the tracks further ahead. It didn't work.
We tried further back. It didn't work. We drove through small paths in the middle of Cuamba's neighborhoods, hoping to get through, but as we got closer to the tracks, the paths became pedestrian, with space only for a motorcycle or a person.
Solution: wait. We decided to have dinner at the "famous" Vila Verde restaurant, at least according to Google, where we ate a bitoque, a recommendation from the owner, Dona Aninhas.
Just as we were deciding where to spend the night in Cuamba, we heard a locomotive's horn. "Could it be moving?"
We finished our bitoque and got back on the road. It was already night and we had a long way to Ribaué, but we decided to go; after all, we wanted to be close to Ilha de Moçambique for the next day.
We arrived at Residencial Malema after 10 pm, straight to bed. Tomorrow we need to get to Ilha de Moçambique early.
O dia começou com a despedida do Diego. O homem que já leva 114 países e está sempre bem-disposto, mesmo quando "agora sim estamos todos f...lixados", como ele diz com um sotaque hispano-brasileiro. Até já.
Arrancámos só às 8h e chegámos à fronteira de Mandimba, Moçambique, às 11h30.
Eu tinha a sensação de que a coisa se iria complicar a partir de agora, porque Moçambique é de alguma forma imprevisível. Desta vez não foi diferente: levámos 3 horas a passar a fronteira. Tínhamos todos feito o visto online, como mandam as regras, para não arriscar, mas aqui estamos sempre em risco de encontrar ineficiências e complicações. Basta respirarmos.
O senhor Idalino, o homem que passa os vistos, tinha ar de quem trabalhava ali há 20 anos a bater carimbos, mas claramente não sabia muito sobre o que fazer com "turistas" em Mandimba. Valeu-nos a sua simpatia, essa sim previsível, para aguentarmos 3 horas de telefonemas entre ele e o chefe provincial, o Senami de Maputo, o "colega que está noutra fronteira", para irmos aguentando a coisa.
Convidou-me para me sentar na secretária dele. Ele próprio já não sabia o que fazer, mas não queria tomar decisões e ser o responsável pela entrada de 3 delinquentes no país. Tínhamos de esperar instruções claras dos seus superiores.
O problema era que os seus superiores estavam numa superioridade tal que já nem se viam cá de baixo, ou eles não nos viam a nós. Só restava esperar. E assim foi, ao som do carimbo que batia noutros passaportes de gente que não estava em turismo nem tinha feito o visto online, como manda a regra dos serviços de migração.
O Tomek e o Fernando já estavam a sentir aquele abraço apertado e desconcertante do "bem-vindo a Moçambique, mas agora é só esperar, não tem como". Desarmante.
Três horas depois fomos "libertados" num pedido de desculpa com o olhar do senhor Idalino, e num "não tem problema" falso com que o deixei. Falso porque tinha problemas, já não íamos chegar a Nampula de dia.
Mudança de planos: ficaremos em Ribaué, a 130 km de Nampula. Marcámos a Residencial Malema por telefone.
Chegados a Cuamba, tínhamos de passar a linha de comboio. Estávamos a queimar na hora estimada de chegada a Ribaué. Uma passagem de nível passa-se facilmente, excepto quando um comboio de carvão avaria e bloqueia a passagem. "Chefe, hora estimada de isto se resolver?" "Ahh, não sabemos, não posso mentir, mas já chamámos mecânicos." Encorajador.
Decidimos tentar passar a linha mais à frente. Não deu.
Tentámos mais atrás. Não deu. Andámos por pequenos caminhos no meio dos bairros de Cuamba na esperança de conseguir passar, mas quando chegávamos mais perto da linha os caminhos tornavam-se pedonais, com espaço apenas para uma mota ou uma pessoa.
Solução: esperar. Decidimos jantar no "famoso" restaurante Vila Verde, pelo menos no Google, onde comemos um bitoque, recomendação da proprietária, a dona Aninhas.
Já quando decidíamos onde pernoitar em Cuamba, ouvimos o buzinar de uma locomotiva. "Será que está em andamento?"
Acabámos o bitoque e voltámos à estrada. Era já de noite e tínhamos muito caminho até Ribaué, mas decidimos ir, afinal, queríamos estar perto da Ilha de Moçambique para o dia seguinte.
Chegámos à Residencial Malema já depois das 22h, directos para a cama. Amanhã há que chegar cedo à Ilha de Moçambique.